Percepções distintas

Em uma cidade onde a sua profissão é valorizada, é comum notar que as pessoas reconhecem a árdua e gratificante profissão de um jornalista. Em um dia qualquer, em um evento como qualquer outro, que fui exercer minha nobre função de repórter, algo diferente aconteceu, e posteriormente, me faria perceber, que a percepção a cerca do episódio que vou descrever abaixo, não foi a mesma para duas pessoas.

Chegara eu, na cerimônia onde um projeto seria lançado pela Prefeitura, e notei que algo estava diferente em relação aos outros eventos que em desempenhei minha função de repórter fotográfico. Com a câmera pendurada junto ao peito, permaneci em um lugar estratégico onde mais tarde me possibilitaria registrar as imagens em diferentes ângulos e diferentes contextos.

Como o local se tratava de uma escola, de ensino fundamental, notei que algumas crianças me observavam de maneira diferente. Algumas crianças do sexo feminino, com olhos de lince me olhavam e em seguida cochichavam, o que me fez compreender o motivo, apenas alguns instantes depois: Claro! Elas estavam apreciando o meu profissionalismo. O que mais seria?

Cada foto que eu tirava, desencadeava novos cochichos e novos olhares que me deixara um pouco desconfortável. Não obstante, continuei fazendo o meu trabalho, uma vez que a vergonha não faz parte do cotidiano de um jornalista, e eu como um aprendiz na profissão, já tinha conhecimento disso, e da minha obrigação a fazer.

Continuei o meu trabalho. No final do evento quando estava conversando com uma personalidade da cidade, um garoto me interpelou: “Moço qual o seu nome”?. Sem exitar, respondi: “Jorge”. Nem sequer me dei ao luxo de indagá-lo o mesmo, quiçá de saber o motivo de sua curiosidade. Após tê-lo respondido, o mesmo saiu em disparada até um grupo de meninas que continuaram a cochichar.

Quando me dirigia até a motocicleta para voltar à redação, duas garotas apareceram a alguns metros de mim e ficaram olhando sem sequer desviar o olhar. Uma chegou a ensaiar um aceno, que para surpresa dela foi correspondido prontamente. Quando lhe acenei com a mão, foi como se ela tivesse visto o Willian Bonner. Começou a rir juntamente com a outra garota, que permaneceu estática até que eu me ausentá-se do passeio público, onde o veículo permanecera estacionado.

Agora vocês vão entender o porquê de eu ter citado no início deste texto, que um determinado fato isolado, tenha gerado duas interpretações distintas. Quando comuniquei o episódio vivenciado por mim à meu irmão ele ratificou o que eu havia pensado: “É, realmente irmão, elas estavam admirando o seu profissionalismo”. Já minha namorada, quando lhe comuniquei o mesmo, com um sorriso intrigante me disse. “Sei, qual o “profissionalismo” que elas estavam olhando!”

por Jorge Pontes

Uma Resposta a Percepções distintas

  1. nossa muito legal o texto..
    raxei o bico quando acabei de ler!!

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